Sobre a difícil tarefa de aprender que amar não é possuir

Família

Amar e ser amado é sem dúvida um dos maiores, senão o maior desejo da maioria das pessoas. Então, por que o campo mais buscado é também o que mais nos faz sofrer?

Nascemos ouvindo que o amor é a maior força que existe, que ele tem o poder de curar, de transformar e de mudar o mundo. Mesmo assim, quem nunca sofreu por amor? Quantas vezes não foi esse mesmo amor que nos cortou o coração, que nos deu e também nos tirou o sentido da vida, que foi o fator motivacional das maiores loucuras e desesperos? Por isso há quem desista de amar. Há quem esteja cansado de se abrir para o amor e sofrer.

No entanto, isso seria mesmo amor? Ou o nosso conceito de amor é que está enganado?

Não, amar não é fácil. Não porque o amor em si seja difícil, mas porque nós complicamos. Não complicamos porque queremos, e sim, porque ainda não podemos fazer melhor.


O amor não machuca, não dói, não aprisiona. O amor é verdade e luz. Porém, a capacidade de amar e a maneira com que o demonstramos, nem sempre é bonita, aliás, geralmente não é.

Embora sejamos perfeitos por natureza divina, encontramo-nos ainda limitados dentro da nossa situação evolutiva. Nós crescemos aos poucos e as nossas capacidades se expandem conosco. Elas não surgem todas juntas de uma vez. Nossa luz interior não aparece em uma explosão. Conquistamos a nós mesmos pouco a pouco, desabrochando como uma flor. São as condições externas que servem de estímulo para que todo o potencial que existe dentro dela possa vir para fora. Sem estar no ambiente certo, um botão não vira flor, um jardim não se cultiva. Por isso, para o nosso crescimento, a vida também nos coloca nos ambientes e nas condições certas para que o melhor em nós possa surgir.

Nem sempre essas situações são fáceis. Mas são as tempestades da vida que testam nossas raízes. É nos momentos mais sombrios que buscamos e descobrimos as nossas forças. Tudo é estímulo, e quanto mais resistente somos ao crescimento, mais fortes necessitam ser os estímulos da vida.

Contudo, querendo ou não, aprendemos, crescemos, evoluímos… mesmo que isso leve tempo.

Então, se ainda temos pontos fracos a evoluir, carentes de serem aprimorados, por que achamos que no campo do amor seremos perfeitos?

O amor não tem defeitos, mas a nossa maneira de amar sim. Pelo menos por enquanto.

O amor é puro. Ele parte das profundezas do nosso interior, contudo, até aflorar no nosso exterior, ele se mistura com as nossas carências, as nossas ilusões, a nossa educação, a nossa maneira de ver o mundo.

Por isso, quando amamos, nós, na verdade, não apenas amamos, de forma pura e simples. Amamos misturando esse sentimento com diversas outras emoções, e moldamos esse sentimento às nossas crenças e a nossa forma de compreender o mundo e as pessoas. É assim que nosso amor é expressado. Desta maneira, embora o amor seja comum a todos, nunca amamos do mesmo jeito. Cada um ama a seu modo, e ama cada pessoa, animal, ser ou objeto de uma maneira e uma intensidade particular e única.

De certa forma não se escolhe amar, é verdade. O amor parece não estar no campo do nosso arbítrio. Mas se escolhe como amar. É nesse ponto que nos enganamos.

Acreditamos que amar é ter, é estar perto, é ter esse sentimento retribuído. Infelizmente para essa concepção nossa, a posse, a proximidade e a reciprocidade nada tem a ver com o amor.

Porque o amor não cobra para se expressar. Quem cobra, quer e faz toda essa série de exigências é a nossa mente, educada pelo mundo, deturpada pelas nossas fantasias, influenciada pelas carências que nós não suprimos e jogamos para os outros.

O amor se basta a si. Podemos amar o céu, as estrelas, o aroma de um perfume, a delicadeza de uma rosa, o amanhecer, o cheiro do pão saído do forno, uma leitura prazerosa, uma música que ilumina nossa alma. Amamos porque é um sentimento que aflora naturalmente. É uma sensação de gostar que aconchega e acolhe o peito. Exigir uma reciprocidade dessas pequenas coisas seria loucura, porque elas nos bastam pelo que são. É bom amar e deixar esse sentimento fluir naturalmente por si mesmo.


Pode não parecer, mas o amor também se expressa assim com as pessoas. Ele gosta. Simplesmente assim. Pode gostar de uma pessoa, de várias, de diversos modos, pois o amor não tem limite de expressão.

Ame. Apenas ame. Porque amar é bom e faz bem. É só se expressar que ele quer.

Porém, é difícil aceitar que nem sempre seremos amados de volta, que nem sempre o outro vai nos amar como queremos, que os que amamos ainda possuem muitos limites e que várias vezes vão nos machucar. É difícil aceitar essa natureza humana, que, às vezes, desperta em nós “amores impossíveis”, que traça sonhos de amor que nem sempre a realidade atual poderá dar conta, que nem sempre a nossa história de amor é como em um livro de romance. Dói muitas vezes perceber que nosso amor não será reconhecido e valorizado, que nem sempre ele dura e que manter a nossa capacidade de amar viva em nós é umas das tarefas mais difíceis da nossa vida. Ainda assim… vale a pena amar e isso tudo são experiências que fazem parte do aprender a expressar esse sentimento.

Ninguém acerta de primeira, e muito menos sem viver diversas experiências para que esse amor possa aflorar.

Claro que o amor, quando é retribuído, é bom, que é normal querer ter a pessoa por perto, que todos precisamos de carinho e reciprocidade.

E um dia encontraremos tudo isso, e viveremos experiências ainda melhores, mais verdadeiras e profundas quando aprendermos a controlar as nossas fantasias, darmos conta das nossas necessidades emocionais, e aprendermos mais sobre a natureza real desse sentimento. Pois nenhuma pessoa poderá viver uma história de amor sadia e sem dores, sem compreender primeiro que ninguém é de ninguém, que o amor não quer exigir, quer apenas se expressar, que ele não é posse, é compartilhamento e que cada um é dono de si e do seu próprio caminho.

Enquanto não tivermos essa maturidade o amor ainda será cheio de espinhos, criados pela nossa capacidade ainda prematura de expressá-lo.

No entanto, entenda que isso é normal e está tudo bem. Cada um aprende a amar a seu tempo e é loucura exigir de si mesmo além daquilo que hoje você pode dar.

Mas não deixe de trabalhar esse sentimento dentro de si. Não deixe de amar e de acreditar no amor. Não definida nem julgue mal o amor por experiências desagradáveis. Elas também foram importantes para o seu amadurecimento, mesmo que seja difícil lembrar e olhar para elas hoje.

Se o amor chegar e escolher outro caminho, tente aprender essa difícil lição de que amar não é possuir. Porém, não perca as esperanças de ver o seu amor retribuído e de encontrar uma pessoa que faça esse amor transbordar em você.

Tenha paciência, lembre-se de que o amor não se apressa. Na sua hora ele vai chegar na sua vida.

Contudo, seja maduro para saber que cada um tem seus limites e que amar ainda é um campo de aprendizagem. A terra é uma escola e a tarefa de amar é uma das mais importantes lições que precisamos aprender aqui. Que o medo da dor, não o impeça de amar e de se aventurar nessa experiência que só o fará crescer.

Chegará o dia em que estaremos crescidos o suficiente para compreendermos a grandiosidade desse sentimento e, nessa hora, perceberemos que ele nunca nos fez mal e que o verdadeiro mal é privar-se de amar.

São diversas as experiências, muitas as lições, grande o trabalho dentro de nós. Mas o amor… ah, o amor… este recompensará tudo isso!

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: teksomolika / 123RF Imagens

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